quarta-feira, 19 de agosto de 2009


Delírios Noturnos


Singela brisa da noite, sopro imortal,

com seu toque gélido vem me imobilizar.

Sensações calmas de insegurança real,

desespero em esperança parece transformar,

na esperança que contigo possa sonhar

Em meio a pesadelos macabros de uma noite maldita,

seu semblante alvo vem me consolar,

acalentar minha solidão infinita...

Calmaria sem rumo, sem direção,

batidas de um coração em descompasso,

aparece como forma de uma tenebrosa redenção,

meu introspectivo eu feito em estilhaço,

Maravilhado por um delírio de poder te tocar

Sua resplandecência e magnitude me dão abrigo.

Atormentado por saber que estou apenas á sonhar

Desejo sono eterno para poder estar contigo.



Evimarcio Aguiar

sábado, 15 de agosto de 2009


Lembro-me

Lembro-me de momentos em que achava que era feliz, e logo, achava que não era mais...Lembro-me de momentos em que buscava por algo mais simples, lembro-me de quando procurava por algo mais complexo.
Recordo-me de várias coisas, coisas boas, ruins, ou mesmo, coisas importantes ou fatos sem importância alguma. Momentos em que vi a minha vida toda em um instante, ocasiões em que durante muito tempo achei não ter vivido nada. Varias coisas permanecendo as mesmas, algumas não são mais a mesma coisa.
Com o passar do tempo pessoas vão perdendo a importância, outras sendo cada vez mais importantes, algumas são lembradas outras esquecidas. Novas amizades vindo com o tempo, outras indo embora vendo o tempo passar, e certas pessoas, poucas até, cometendo a proeza de pararem no tempo e permanecerem como sempre foram, eternamente... Enquanto outras tentam recuperar o que foram em alguma parte do passado, sem sucesso.
Lembro-me de momentos em que achava tudo de todos e de momentos em que não achava nada, e nem assim deixando de achar.Parando para pensar, analisando, recordando e relembrando.
Lembro-me desses momentos...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Elégia


Então, o eterno e extremo amor se foi,
Enoitece em mim enredoso amor,
Eviterna estrela eólia estou á enveredar
Enlouquecendo-me a evasiva dor

Envenenado espero eternamente
-Eros, escutai-me enquanto esvaeço!
Enquanto sofro enerte evanescente
Ermo coração meu enfermo está.

Eu evaporo evoluindo enfim
Edaz espiritual eterno
Esplendoroso, eversivo estopim
Escapo ileso desse amor enfermo

Entonados versos eu escrevi,
Eufônicos. São extremados versos.
Envolvente em súplica devotada,
Exorável e compassivo á amada

Enegrece o coração enfadado
Estático, expelindo seus espinhos
Envolto á espineos sentimentos
Espoar o pó das recordações

Embriagando-me imerso em esplim
Encontrando na poesia meu refúgio
Eis assim o amante despedaçado
Efúgio esse: egéria a égide do fim.




Por: Evimarcio Aguiar, Em 02/11/07

terça-feira, 11 de agosto de 2009


Os olhos da cobra verde

Neste quadro verde-mato,
monótona nódoa transpassada,
há vida e morte entreparada.

Ébrio é o turvo ver da água

E não há nada de margens na estrada
o que há é
o sempiterno
ir de rio
rastro de cobra
latente rugir do ocultismo estrelar
ao sair da mãe d’alva
(Garça
do lago negro)
Sombrio
Nocturnes No.1 da Capoeira Devorada
que perdura...
Até o encontro da noite
com os galos que tecem a manhã desse verde-existir
Existir, que é palavra circular
Rastro de cobra
é também um pouco parte
de lago
com seu risco de luz
enfrestado pelo glauco cortinado

Estes olhos teimam em serem olhos d’água

Neste quadro verde-mato,
monótona nódoa transpassada,
há vida e morte entreparada.

Thiago de Melo

domingo, 9 de agosto de 2009


Ode ao Amigo


Semelhante aos deuses és em formosura,
És a melhor reminiscência
Dentre os meus dias de sol.
Fostes dado à mim por Eros, contudo,
Chegastes até mim com a ajuda de Dionísio.
Entorpecidos por seu vinho,
Na praia será nossa moradia,
A alva areia nos servirá de leito,
Sob o coche de ébano estrelado,
Ao bravejar das espumosas ondas.
Ah, Pátroclo, meu amigo,
Que oráculo poderia prever?
E, mesmo antes de partir da ilha,
Já sinto tua a falta.
Grato sou por depositares em mim tua juventude,
Pois quando a aurora,
Dedos rosa, surgir matutina,
Saberás que é hora de eu partir.